Em 2009 chegava nas
telas dos cinemas o mais novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar,
Abraços Partidos, filme tomado por diversos flashblacks, misturando o presente
de 2009 e o passado dos anos de 1992 e 1994.
A personagem protagonista
Mateo Blanco/Harry Caine nos conta, já nos minutos iniciais, um pouco do seu
passado: nasceu como Mateo Blanco, um diretor de cinema, mas desde criança
queria ser alguém além dele mesmo, queria poder ser outro e viver como outro, o
que o fez criar o pseudônimo Harry Caine, o qual utilizava para assinar seus
livros e roteiros utilizados em seus filmes. Entretanto, por circunstancia não
ditas em princípio, Mateo precisará abandonar de vez seu nome verdadeiro e
viver da sua personalidade criada, tendo que lidar com a surpresa de Caine
agora ser um escritor e roteirista cego.
Assim a película se
encaminha até o momento em que Caine é procurado por um fantasma do seu
passado, fazendo com que, aos poucos e a partir de seu olhar, ele conte ao seu
ajudante e filho de sua agente, Judit Garcia, a sua tumultuada história de amor
e paixão por Lena, personagem vivida por Penélope Cruz.
As vidas das duas
personagens se cruzam em 1994, no momento em que Lena vai até o escritório de
Mateo para fazer um teste para participar do primeiro filme de comédia do
diretor, “Garotas e Malas”. Em princípio, o marido de Lena, o milionário
empresário Ernesto Martel, mostra-se contra o desejo da mulher em se tornar
atriz, mas termina por aceitar e até mesmo ajuda a financiar o filme, manobra
extremamente fundamental para o decorrer do enredo, afinal Ernesto é uma
personagem baixa e ciumenta, não medindo esforços para saber cada passo de Lena
dentro do estúdio.
As cores tão presentes
nos filmes de Almodóvar, que transmitem as tensões e os sentimentos vividos
pelas personagens, ainda possuem grande espaço na trama de “Abraços Partidos”,
mas o melodrama, característica marcante dos filmes do cineasta espanhol, é
tratado aqui de forma mais sóbria e pautada no real, o que para muitos críticos
foi um retrocesso artístico na carreira do diretor e para tantos outros uma
amostra de amadurecimento intelectual.
Também vale a ressalva
para a metalinguagem explorada na narrativa fílmica: temos a história de um
diretor apaixonado pela musa de seu filme. Sabemos, obviamente, que Almodóvar
possui um outro tipo de amor e admiração pela sua eterna musa Penélope Cruz.
Além disso, há grandes referências aos filmes de comédia do diretor dentro do
filme “Garotas e Malas”, é só lembrarmos das confusões e dramas vividos pelas
mulheres em “Mulheres a beira de um ataque de nervos” ou de “Kika”.
No mais, o filme deve
ser visto e apreciado como uma obra destoante do acervo de Almodóvar: é cruel,
fria e real.
Por: Jéssica Fabrícia.


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